Coyote Rules ou Regras do Coyote: Lições de Astúcia para o Combate e para a Vida

Coyote Rules ou Regras do Coyote: Lições de Astúcia para o Combate e para a Vida

25 de agosto de 2025 0 Por Guilherme Vaz

Por Guilherme Vaz – Tactical Nerd
Cofundador da EVO Tactical e entusiasta do cruzamento entre filosofia, cultura militar e design tático.


Prefácio

Caro leitor,

Nem sempre a sobrevivência depende de força ou de preparo técnico. Muitas vezes, ela nasce da astúcia, da adaptação e da coragem de agir quando os outros ainda esperam por instruções que nunca chegam. Foi a partir dessa realidade — incômoda, mas inevitável — que surgiram as chamadas Coyote Rules, um conjunto de máximas não oficiais, herdadas da observação tanto do campo de batalha quanto da vida em situações extremas.

Não se tratam de regras codificadas em manuais. São ensinamentos transmitidos de boca em boca, de experiência em experiência, quase como um sussurro que passa entre combatentes, exploradores, sobreviventes e até mesmo pessoas comuns que já enfrentaram o inesperado. São, em última instância, a tradução humana do comportamento do próprio coyote: um animal que sobrevive não pela força bruta, mas pela astúcia, oportunidade e adaptabilidade.


A gênese das Coyote Rules

Por que o coyote? Porque ele é o predador oportunista. Diferente do leão ou do lobo, ele não carrega consigo a aura da nobreza da caça. Ele sobrevive nos restos, nos flancos, nas brechas. Ataca quando há distração, recua quando há desvantagem, retorna quando as condições mudam. Ele representa a verdade incômoda: na selva, não vence o mais forte, mas o mais adaptável.

Da mesma forma, em combate — e em muitas situações da vida — os que vencem não são os que seguem cegamente as regras estabelecidas, mas os que entendem quando ignorá-las. É disso que tratam as Coyote Rules.


As Regras do Coyote

1. Assuma a iniciativa.

Não espere respostas vindas de cima; elas raramente chegam a tempo. Quantas vezes, caro leitor, você já se viu paralisado esperando uma autorização, um sinal ou uma ordem que nunca veio? E quando percebeu, já era tarde demais?
O coyote não espera o líder da alcateia — ele age. A questão é simples: você já perdeu por hesitar?


2. As coisas raramente são justas.

A vida — assim como o combate — não é equilibrada. Você não enfrentará sempre um inimigo do mesmo tamanho, no mesmo terreno ou com as mesmas armas. Não há árbitro para soprar o apito quando a balança pender demais.
Quantas vezes você entrou em uma situação acreditando que seria “justa” apenas para descobrir que a realidade não respeita sua expectativa?
A provocação aqui é dura: quantas vezes você foi superado por não aceitar que a balança nunca está equilibrada?


3. A verdade muda.

O primeiro relato é quase sempre falho. A informação chega truncada, parcial, muitas vezes contaminada por medo, pressa ou interesses.
Pense nas vezes em que você acreditou no primeiro relato, apenas para descobrir que a história tinha camadas não reveladas. Quantas decisões suas foram baseadas em “verdades” que evaporaram ao menor sinal de realidade?
O coyote sobrevive porque não confia no primeiro cheiro do vento. Ele investiga, confirma, ajusta. E você?


4. Merda acontece.

O inesperado não é exceção: é regra. O coyote sabe disso; por isso sobrevive em desertos, florestas e até nos becos urbanos.
E você, caro leitor, quantas vezes já foi surpreendido pelo imprevisto porque simplesmente não considerou que ele poderia acontecer?
Aqui reside o coração da regra: você planeja para quando tudo dá certo ou para quando tudo dá errado?


5. Planeje como se não houvesse regras.

O combate real — e muitas vezes a vida — não reconhece árbitros. Não existe juiz para apontar infrações. A única lei válida é a da eficácia.
Isso incomoda, não é? Pensar que, no fim, não importa se você seguiu as normas — o que importa é se voltou vivo, se protegeu os seus, se superou a crise.
Você já perdeu por jogar “limpo” enquanto o outro lado não jogava?


Reflexão final

As Coyote Rules não são uma licença para o caos, mas um lembrete de que a realidade nunca será moldada pelo idealismo das regras perfeitas. São um convite a abandonar a ingenuidade, a aceitar o desconforto da imprevisibilidade e a cultivar a astúcia como ferramenta de sobrevivência.

Caro leitor, ao terminar esta leitura, pergunte-se: você tem vivido como o lobo, esperando que as ordens e as condições certas cheguem, ou como o coyote, que sobrevive justamente porque age nas brechas?